Dr. Thiago Monaco - (11) 5051-5572 (cons) ou 3394-5007 (Hosp. Sírio Libanês)
Principal arrow Aposentadoria e Idade de diagnóstico da Doença de Alzheimer
Aposentadoria e Idade de diagnóstico da Doença de Alzheimer Imprimir E-mail
Escrito por: Dr. Thiago Monaco – dr.thiago@envelhecerbem.com   

Um estudo recente com milhares de portadores da Doença de Alzheimer no Reino Unido mostrou que a idade do primeiro diagnóstico era mais tardia para pessoas que se aposentaram mais tarde.

Confira abaixo a reportagem com que pudemos contribuir.



Algumas limitações têm de ser notadas: o estudo foi um estudo retrospectivo, ou seja, para um número do portadores de Doença de Alzheimer, procuraram-se as datas de diagmóstico e de aposentadoria (estudos prospectivos, ou seja, aqueles em que se faz a pergunta a se estudar, desenha-se o estudo e segue-se a população no tempo, são muito mais precisos).

A população do estudo era toda de portadores de Doença de Alzheimer, quando talvez o mais interessante seria medir o efeito do trabalho na incidência, ou seja, no surgimento dos casos novos da doença. Finalmente, é muito importante notar que quando estudamos idosos portadores de Alzheimer e olhamos em que data se aposentaram, estamos olhando para o passado, ou seja, uma época em que (talvez) o trabalho fosse menos estressante do que hoje, ou que os aposentados tivessem menos estímulo às atividades do que hoje.

Assim, talvez não fosse o trabalho, mas a atividade mental, que teria dado o resultado observado, mas isto não há como diferenciar neste estudo. Finalmente, porque não havia muitas mulheres no mercado de trabalho no passado, os pesquisadores só estudaram homens. Assim, não há dados diretos sobre as mulheres neste estudo (que são a maioria dos idosos, uma vez que vivem mais).

Limitações de estudo à parte, o estudo sugere a possibilidade de que manter a mente mais ativa poderia de alguma forma adiar o desenvolvimento da Doença de Alzheimer, ou pelo menos criar mecanismos compensatórios que pudessem levar a uma manifestação clínica mais tardia.

Embora o estudo esteja sujeito a muitas dúvidas, ele abre um importante campo de pesquisa, já que foi o primeiro estudo científico que demonstrou um benefício contra a Doença de Alzheimer baseado em atitudes na idade adulta (os estudos até então apenas mostraram efeitos protetores baseados em educação na infância).

Talvez venhamos a confirmar o que a observação parece sugerir: manter a mente ativa e saudável ao longo da vida toda vale a pena. E muito.